É uma coisa que se carrega. E às vezes, pesa mais do que parece.
Toda a gente fala da saudade como se fosse uma coisa poética. Uma palavra que só existe em português. Um motivo de orgulho. E é — até deixar de ser.
Porque a saudade que se sente no estrangeiro não é a de uma canção de fado. É a do domingo à tarde, quando a casa está em silêncio e os miúdos estão a brincar e tu pensas no teu pai que está a envelhecer a 2.000 quilómetros. É a do Natal em que montas a mesa e sentes que falta qualquer coisa, mesmo com a mesa cheia. É a de ouvir alguém a falar português na rua e sentires um aperto que não sabes explicar.
Ninguém te prepara para isto quando sais de Portugal. Preparam-te para a língua, para o trabalho, para a burocracia. Mas não te preparam para o peso de viver com uma parte de ti noutro sítio.
E o pior é que não há ninguém com quem falar disto. Em casa, ninguém percebe — nunca saíram. Cá fora, ninguém percebe — não são portugueses. E se tentasses explicar, terias de explicar primeiro o que é saudade, e depois o que é sentir saudade de uma vida inteira, e a essa altura já desististe e disseste “estou bem, obrigada”.
Saudade não é uma doença. Não precisa de diagnóstico. Mas às vezes precisa de um sítio onde pousar — um espaço onde possas dizer o que sentes sem ter de traduzir, nem justificar, nem fazer de conta.
Se te reconheces nisto, não precisas de estar mal para falar com alguém. Precisas só de querer.
A Bem Viver oferece apoio psicológico em português, por videochamada, com terapeutas portugueses que percebem a emigração por dentro. A primeira conversa é gratuita.
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